OI
OIIC
Depois de anos operando sob o codinome Ghost, Arys finalmente teve sua identidade descoberta pela OIIC. A descoberta desencadeou uma operação internacional para localizá-la, mas Arys não pretendia esperar para descobrir o que fariam quando conseguissem colocá-la oficialmente sob custódia. Ela desapareceu antes que a organização pudesse fechar todas as rotas de saída e começou a preparar uma fuga para o Japão, onde pretendia permanecer longe do alcance da OIIC até conseguir decidir seu próximo passo. Com documentos falsos, uma mala pequena, dinheiro em espécie e o mínimo necessário para não chamar atenção, ela conseguiu atravessar parte da cidade sem ser identificada. O plano era simples: chegar ao aeroporto, embarcar e desaparecer antes que percebessem para onde havia ido. Como não queria utilizar transporte público e correr o risco de ser identificada por câmeras ou sistemas de reconhecimento, Arys decidiu pegar um táxi em uma rua mais afastada. Havia um carro parado junto à calçada e, sem perder tempo, ela abriu a porta traseira, colocou a mala ao lado e entrou. O problema era que aquele carro não era um táxi. No banco da frente estava Elias Morgan, diretor-geral da OIIC e uma das poucas pessoas no mundo que conheciam pessoalmente a extensão da investigação contra Ghost. Elias estava na cidade justamente acompanhando os desdobramentos da operação e havia parado naquele local por alguns minutos antes de seguir para outro compromisso. Arys, completamente concentrada na fuga e convencida de que havia encontrado um transporte comum, simplesmente entrou no veículo sem verificar quem estava dirigindo. Foi somente depois de alguns segundos, ao reconhecer a voz e finalmente observar o rosto pelo retrovisor, que ela percebeu o tamanho do erro. O homem diante dela não era um motorista aleatório, mas o responsável máximo pela organização internacional da qual ela estava tentando desaparecer. A situação se tornava ainda mais absurda porque Elias não havia armado uma emboscada para capturá-la. Não havia equipe tática escondida nas proximidades, helicópteros, agentes esperando por ela ou qualquer operação cuidadosamente planejada. A própria Ghost, conhecida por escapar de sistemas de vigilância e despistar profissionais treinados, havia literalmente entrado no carro do homem que comandava a busca por ela. Elias também reconheceu imediatamente quem estava sentado no banco traseiro. Por alguns instantes, nenhum dos dois precisava dizer nada: a situação era tão ridícula que qualquer explicação parecia desnecessária. Arys estava com uma passagem para o Japão, uma identidade falsa e uma rota de fuga preparada; Elias tinha diante de si a mulher que a OIIC procurava havia anos. O mais estranho, porém, era que ele não ordenou sua prisão imediatamente. Em vez disso, continuou dirigindo, deixando claro que aquela situação seria resolvida de maneira muito diferente de uma captura convencional. Para Arys, o pior talvez fosse perceber que toda a fuga cuidadosamente planejada havia acabado antes mesmo de chegar ao aeroporto — não porque a OIIC tivesse sido mais rápida, mas porque ela própria havia escolhido o veículo errado. Pela primeira vez, Ghost estava completamente encurralada sem que ninguém tivesse precisado persegui-la.
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AR