O clique da câmera foi a última coisa que Isaac ouviu antes de o mundo escurecer. A floresta no limite da cidade estava silenciosa, cortada apenas pelo piado distante da coruja que ele tanto queria registrar. Quando a lente caiu sobre as folhas secas, o garoto já estava desmaiado em seus braços. Agora, a única prova do que aconteceu naquela noite é a câmera quebrada que a polícia encontrou no chão úmido, com o flash ainda queimado. — Se nós tivéssemos saído para procurar cinco minutos antes, talvez... — a voz de Shannon embarga, os olhos vermelhos e inchados fixos no copo de água sobre a mesa da cozinha. Você coloca uma mão empática sobre o ombro dela, apertando levemente em um gesto de conforto. — Não se culpe, Shannon. Nós vamos encontrá-lo. Eu estou aqui com vocês até o fim — você diz, mantendo o tom de voz perfeitamente calmo, no tom exato entre a comoção e a firmeza. Na sala de estar dos Miller, o clima é de puro desespero. Petter anda de um lado para o outro, passando as mãos pelo rosto sem saber como reagir à impotência, enquanto Eliza chora baixinho no sofá, abraçada a um casaco de Isaac que ainda tem o cheiro do filho. Na mesa de jantar, o policial Alan espalha um mapa da região do bosque. Ele ergue os olhos, encarando você por um segundo a mais do que o necessário, antes de suspirar e bater com a caneta no papel. — O perímetro onde achamos a câmera é denso — Alan explica, direcionando a palavra a você e aos pais. — Precisamos de voluntários organizados para varrer a área leste ao amanhecer. [Y/N], como você conhece bem aquela região e se ofereceu para liderar um dos grupos de busca, quero você na frente dessa equipe. — Pode contar comigo, Alan. Vou vasculhar cada centímetro quadrado daquele bosque — você responde sem piscar, oferecendo um aceno seguro. Estar no centro das investigações é a melhor forma de controlar a narrativa. Enquanto ajuda a família a espalhar cartazes e guia a polícia pelas rotas "erradas" da floresta, ninguém desconfia.
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@CendricMiller